domingo, 6 de novembro de 2011

TEORIA DA LITERATURA II

 IESA/UNIESP – TEORIA DA LITERATURA II

Correntes fenomenológicas

    A teoria fenomenológica dos extratos foi exposta pelo polonês Roman Ingargen, em livro de 1931. Segundo essa corrente, a estrutura fundamental ou a essência de uma obra literária consiste num sistema e camadas ou estratos, distintos mas integrados, de que são os seguintes:
1º) Estrato das formas fônicos-linguísticas.
2º) Extrato das unidade de significação.
3º) Estratos dos aspectos esquematizados.
4º) Estrato das objetividades apresentadas.
    A escola de Zurique, chamada alternativamente escola da interpretação, encontra em Emil Staiger seu integrante mais conhecido e influente. As obra de Staiger cabe destacar o livro Conceitos fundamentais da poética, de a946, em que o pesquisador suíço empreende um estudo de três literários reconhecidos pela tradição – o lírico, o épico e o dramático -, baseando sua reflexão em princípios provenientes das obras dos filósofos Edmund Husserl, o fundador da fenomenologia,e Martin Heidegger, principal representante da chamada filosofia da existência.

Correntes sociológicas

    Predominam preocupações sociológicas ou ético-políticas. São elas: a crítica existencialista, a crítica marxista, a crítica sociológica e a estética da recepção.
    Crítica existencialista – segundo seu principal autor, Jean-Paul Sartre, vê a literatura como um processo de revelação do mundo através da palavra, constituindo essa revelação um modo de ação social, assinalado por compromissos éticos e políticos.
    Crítica marxista – conforme obviamente revela seu nome, baseia-se no pensamento de Karl Marx – suas análises econômicas, sociais, políticas e ideológicas -, ou ainda nas reinterpretações contemporâneas da obra desse pensador. Em seu âmbito cabem desde simplistas apologias de uma literatura dita engajada, que se pretende identificada aos interesses em estudar as relações entre ideologia e processo produção/recepção da literatura, ou ainda na pesquisa da incidência dos fatores econômico-sociais sobre o texto literário.
    Crítica sociológica – é uma conceituação muito ampla e, consequentemente, bastante vaga. No seu âmbito há razões para situar, por exemplo, tanto a crítica marxista como de outros autores vinculados à escola de Frankfurt (como Theodor Adorno e Walter Benjamim). Além disso, dado o amplo espectro das pesquisas de timbre sociológico, convém distinguir entre aquelas que mais propriamente pertencem à sociologia da literatura – em que o aparato conceitual lógico não deixa espaço para uma perspectiva baseada na teoria da literatura – e aquelas em que prevalecem os pontos de vista dessa última disciplina.
New Criticism
    Constitui corrente de procedência anglo-america, que se esboça nos anos 20 e se apresenta como movimento definido na década seguinte. Sua noção-chave é conhecida pelo termo close reading, análise minuciosa do texto, entendido como tessitura da linguagem autônoma em relação a fatores extratextuais. Na área de influência do New Criticism, pode-se ainda colocar a chamada escola de Chicago, surgida em fins dos anos 30 como um ramo seu, tendo depois evoluído para uma posição dissidente, francamente antagônica às teses básicas do movimento neocriticista.
  
Relembrando:

O formalismo russo situou, em outras palavras que, num grau mais refinado e abstrato o objeto da teoria da literatura não PE o conjunto de obras  consideradas literárias stricto sensu, mas “propriedades específicas”. Essa corrente da teoria da literatura situou essa questão de maneira contudente e programática. Sua enunciação coube ao lingüista russo Roman Jakobson, em seu trabalhdo e 1919.
        ...o objeto do estudo literário não é a literatura, mas a literariedade, isto é, aquilo que torna determinada obra uma obra literária.



Profª Jóice Aparecida de Souza Pinto.

SOUZA. Roberto Acízelo. Teoria da Literatura. São Paulo. Ed. Ática.1997.

De:joice.letras (joice.letras@bol.com.br)
Enviada:domingo, 6 de novembro de 2011 15:25:32
Para: s1letras@hotmail.com (s1letras@hotmail.com)
"Olá, caríssimos...

Conforme mencionado durante as aulas, seguem as apostilas sobre conteúdo do bimestre, é uma releitura, sendo assim, solicito leitura com atenção, pois é material para N2 mais a apostila estudada.

Solicito que divulguem a todos, não há cópia na xérox.

Bom estudo.

Profª Jóice
"
* Obs: Anexo enviado por e-mail a todos os alunos, caso não tenha recebido solicitar atraves dos comentarios ou pessoalmente na sala de aula
Postado por Rodrigo P.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Gabarito da prova de avaliação de professores


O diário oficial publicou hoje os gabaritos da prova aplicada no dia 30/10






http://www.imprensaoficial.com.br
Gabarito


Os recursos poderão ser interpostos no prazo de dois dias contados a partir de hoje no site da Vunesp.
http://www.vunesp.com.br/






quinta-feira, 20 de outubro de 2011

MOSTRA SOBRE CHAPLIN


A partir do dia 19 deste mês, o Instituto Tomie Ohtake abre uma exposição sobre o ícone do cinema mundial Charles Chaplin. Serão exibidos mais de 200 documentos, imagens e vídeos em torno de sua figura.
Com curador francês, Sam Stourdzé, a mostra já passou pela Europa, México e Estados Unidos. Todo o conteúdo busca retratar as facetas de ator, produtor, comediante, dançarino e roteirista do artista.

Serviço

O Que:Chaplin e a Sua Imagem
Quando:
  • de 19/10 a 27/11
    • Terças, Quartas, Quintas, Sextas, Sábados e Domingos das 11:00 às 22:00
Confira todas as datas 
Quanto:Catraca Livre
Onde:
Instituto Tomie Ohtake  
http://www.institutotomieohtake.org.br
Rua Coropés, 88 – Pinheiros
(11) 2245-1900

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

PORTUGUÊS PARA PRÓXIMA AULA 19/10

AS CATEGORIAS GRAMATICAIS DO SUBSTANTIVO
l- GÉNERO
Em português, todos os nomes, sem exceção, dividem-se em masculinos e femininos. É importante salientar
que o género é uma categoria gramatical, um fato linguístico. Isso significa que em alguns casos pode haver
correspondência entre o género do substantivo e o sexo do ser nomeado (como nos substantivos que designam
pessoas ou animais), em outros não (substantivos que designam objetos, por exemplo), sendo o género do substantivo
mera convenção. Podem-se associar cão/cadela aos conceitos de macho/fêmea, mas o mesmo não ocorre
com janela, apesar de ser este um substantivo feminino.
Em geral, es substantivos femininos são caracterizados pela desinência a, os masculinos não apresentam
essa desinência. Isso não significa que todo substantivo terminado em a seja feminino (há casos em que o a não é
desinência, como em papa, jesuíta, poema); por outro lado, nem todo substantivo terminado em o é masculino,
como e o caso de tribo, substantivo feminino.
E mais: os substantivos que designam seres inanimados (objetos), ações, estados, qualidade (substantivos
abstratos) não apresentam uma forma para o masculino e outra para o feminino. Ou são exclusivamente masculinos
(carro, trem, tijolo, otimismo) ou são exclusivamente femininos (pia, cadeira, felicidade, beleza). Nesses
casos, não podemos falar em desinência nominal de género.
Já os substantivos que designam seres animados (pessoas, animais) apresentam, na maioria dos casos,
uma forma para o masculino e outra para o feminino. São os substantivos biformes. Há ainda substantivos que
apresentam uma única forma tanto para o masculino como para o feminino. São os substantivos uniformes.
• Substantivos biformes - São aqueles que apresentam uma forma para o masculino e outra para o feminino.
Isso ocorre em duas situações:
a) o feminino apresenta o mesmo radical do masculino; a flexão é indicada pela desinência:
menino/menina aluno/aluna
b) o feminino apresenta um radical diferente daquele que forma o masculino:
cavalo / égua bode / cabra
pai / mãe homem/mulher
• Substantivos uniformes - São aqueles que, embora designando seres animados, apresentam uma só forma
tanto para o masculino como para o feminino. Podemos reconhecer três situações:
a) substantivo comum de dois géneros: é aquele que apresenta uma só forma para os dois géneros; para se
fazer a distinção entre o masculino e o feminino, é necessário atentar para o artigo, para o pronome ou para alguma
outra palavra que modifique o substantivo:
o dentista/a dentista um jovem / uma jovem
imigrante italiano / imigrante italiana aquele estudante / aquela estudante
b) substantivo sobrecomum: é aquele que apresenta um só género, apesar de designar pessoas ou animais
do sexo masculino ou feminino:
criança: é um substantivo feminino, embora possa designar crianças do sexo masculino ou do sexo
feminino; a distinção será dada pelo contexto;
cônjuge: é um substantivo masculino, embora possa designar o esposo ou a esposa.
c) substantivo epiceno: é aquele que apresenta um só género gramatical para designar certos animais:
o jacaré, a cobra, a onça, a borboleta, etc.
Observe bem: jacaré é um substantivo masculino quer se refira a um animal do sexo masculino, quer a um animal
do sexo feminino. Para se distinguir o sexo do animal (e não o género do substantivo!), usamos as palavras macho
e fêmea.
l
2- NÚMERO
Assim como o género, o número também é uma categoria gramatical; o substantivo pode estar no singular
(quando se refere a um único ser) ou no plural (quando se refere a mais de um ser).
O substantivo coletivo, aquele que se refere a um conjunto de seres, também pode ser flexionado: no
Singular designa um único conjunto de seres; no plural, designa dois ou mais desses conjuntos.
ATENÇÃO
Alguns substantivos só são usados no plural: as núpcias, as fezes, as férias (descanso), as cócegas, os víveres,
entre outros.
Outros substantivos são uniformes, isto é, apresentam uma única forma tanto para o plural como para o singular:
ténis, vírus, lápis, ônibus, pires, tórax, cútis, entre outros. Nesses casos, sabemos o número do substantivo
atentando para o artigo, para o pronome ou para outra palavra que esteja modificando o substantivo: o ônibus,
os ônibus; um pires, dois pires; meu lápis, meus lápis; etc.
Finalmente, alguns substantivos só são empregados no singular, como é o caso de ciúme (sentimento).
Formação do plural dos substantivos simples
• substantivos terminados em vogal ou ditongo: acrescenta-se a desinência s:
caneta / canetas pai / pais
livro / livros herói / heróis
rei / reis mãe / mães
• substantivos terminados em do: podem fazer o plural em ões, ães ou aos; alguns substantivos admitem
mais de uma forma para o plural:
canção/canções cidadão / cidadãos
pão / pães ancião / anciões, anciães, anciãos
• substantivos terminados em r ou /: acrescenta-se es à forma do singular (no caso, o e é vogal temática; o
s é desinência): „
pintor/pintores cruz/cruzes
• substantivos terminados em s: podemos distinguir dois casos - se o substantivo é paroxítono, ele é
invariável (bónus, pires, lápis, etc.); se é oxítono. acrescenta-se es:
país / países japonês / japoneses
• substantivos terminados em n: podem formar o plural em s ou es, sendo a primeira forma a mais usada:
hífen / hífens ou hífenes pólen / pólens ou pólenes abdómen / abdómens ou abdómenes
• substantivos terminados em ai, el, o/, ul: perdem o l final, que é substituído por is:
varal / varais farol / faróis
papel/papéis paul/pauis
Como exceções à regra, devem ser citados:
mal / males cônsul / cônsules real (moeda antiga de Portugal e do Brasil) / réis
Obs.: A moeda em vigor no Brasil flexiona-se segundo a regra: real / reais.
• substantivos terminados em //: os oxítonos perdem o l final e são acrescidos da desinência s:
fuzil / fuzis barril / barris

UNIESP - IESA
Professora: Zoraide Aparecida Cocito
CONTEÚDO - Estrutura das palavras - ( VERBOS )
DÊS
3
ATUAL
2
IZ
4
A
5
pARTE II - ASPECTOS MORFOLÓGICOS
2.1 - ESTRUTURA DAS PALAVRAS
ELEMENTOS MÓRFICOS: são os elementos formadores que estruturam uma palavra.
Ex.
1
6
" VA MÓS
7 8
01. DESATUALIZ é o RADICAL (elemento significativo básico da palavra);
02. ATUAL é a RAIZ ou RADICAL PRIMÁRIO (é o radical sem os afixos);
03. DÊS é PREFIXO (elemento que se antepõe à raiz, criando uma palavra derivada);
04. JZ é SUFIXO (elemento que se pospõe à raiz, criando uma palavra derivada);
05. A é VOGAL TEMÁTICA (elemento que aparece após o radical, permitindo que esse receba as desinências;
no caso dos verbos, indica a conjugação);
06. DESATUALIZA é o TEMA (soma do radical mais a vogal temática);
07. VA é DESINÊNCIA MODO-TEMPORAL (elemento que indica a flexão verbal de tempo e modo);
08. MÓS é DESINÊNCIA NÚMERO-PESSOAL (elemento que indica a flexão verbal de pessoa e número).
2.1.1. - ELEMENTOS MÓRFICOS DO VERBO:
A) Basicamente são:
RADICAL + VOGAL TEMÁTICA + DESIN. MODO-TEMPORAL + DESIN. NÚMERO-PESSOAL.
B) Estes elementos podem aparecer modificados foneticamente (VARIANTES) e, com exceção do radica!,
podem até não estar presentes (ZERO).
1) RADICAL:
É o elemento básico da significação da palavra.
O radical base dos verbos é obtido no infinitivo, retirando-se as terminações AR, ER, IR.
Ex.: CANTar, MATar, CORRer, SOFRer, SORRir, PARTir...
VARIANTE DE RADICAL:
É o radical que apresenta diferença fonética em relação ao radical base, sem alterar o sentido. Caracteriza os
verbos irregulares.
Ex.:
1. FAZer = FAZ é o radical base.
FAZemos, FAZia, FAZendo, porém: FAÇo, FIZeste, FEZ, FArei...
FAÇ, FIZ, FEZ, FA são variantes de radical. .
2. SABer = SAB é o radical base.
SABemos, SABia, SABendo, porém: SAIBa, SOUBemos, ...
SAIB e SOUB são variantes de radical.
\:
Alteração gráfica: é a mudança gráfica que o radical sofre para manter a mesma estrutura fonética. Não é
variante de radical. Não caracteriza uma irregularidade verbal. Os verbos são regulares.
Ex.:
DIRiGir -> DIRIJo
FINCar -> FINQUemos
JOGar -> JOGUemos
NASCer -» NASÇa
CAÇar -> CACe
2) VOGAL TEMÁTICA:
É o elemento mortiço que se une ao radical, permitindo que este receba as desinências. Nos verbos ainda ind
ca a conjugação verbal.
(RADICAL + VOGALTEMÁTICA = TEMA)
CONJ.
1a
2a
3a
VERBO
FALAR
TEMER
PARTIR
RADICAL
FAL
TEM
PART
V. T.
A
E
l
TEMA
FALA
TEME
PARTI
VOGAL TEMÁTICA VARIANTE
CONJ. V.T. VARIANTE EXEMPLOS
1a A E Falei, amei (1a pés. singular) \. Perf. Indic.
O Falou, amou (3a pés. singular)
2- E l Temia, temias, temiam (Pret. Imp. Ind.)
Temido, vendido, sabido (Particípio)
Partes, dormes (2a pés. singular) \a l E Partem, dormem (3a pés, plural) /
VOGAL TEMÁTICA ZERO
1) 1§ pessoa singular do Presente do Indicativo: amo, temo, parto
2) Todo o Presente do Subjuntivo: ame, tema, parta
Obs.: a) O elemento O da 1a pessoa singular do Presente do Indicativo é DNP.
b) Os elementos E e A do Presente do Subjuntivo são DMT.
c) O modo imperativo (derivado do presente do indicativo e subjuntivo) também apresenta VT 0
d) Em forma verbal sem VT, não há TEMA; é forma ATEMÁTICA.
3) DESINÊNCIAS MODO-TEMPORAIS: Esquema
a) MODO INDICATIVO
TEMPO
1 . Presente
2. Pretérito Perfeito
3. Pretérito Imperfeito (1a conj.)
4. Pretérito Imperfeito (2a / 3a conj.)
5. Pretérito mais-que-Períeito
6. Futuro do Presente
7. Futuro do Pretérito
DMT
-
-
VA
A
RA (át.)
RA (tôn.)
RIA
DMT. VAR.
-
-
VÊ (vós)
E (vós)
RE (vós)
RE (eu, nós, vós)
RIE (vós)
EXEMPLOS
Amo, amas
Amei, amaste
Amava, amáveis
Temia, temíeis
Amara, amáreis
Amará, amarei
Amaria, amaríeis
b) MODO SUBJUNTIVO
TEMPO
1. Presente (1a conj.)
2. Presente (2a / 3a conj.)
3. Pret. Imperfeito
4. Futuro
DMT
E
A
SSE
R
DMT. VAR.
-
EXEMPLOS
Ame, ames
Tema, parta
Amasse, temesse
Amar, amares
c) FORMAS NQMINAIS
1 . Infinitivo
2. Gerúndio
3. Particípio
DMT
R
N DO
DO
DMT. VAR.
.
.
TO, STO,
SÓ, SSO ...
EXEMPLOS
Amar, temer
Amando, temendo
Amado, temido,
feito, visto










UNIESP - IESA
Substantivo
Prof Zoraide Cocito
Para identificar os seres, nomear os objetos que nos cercam, designar sentimentos, ações, etc,, necessitamos
de certo tipo de palavras, como filho, flecha, amor, pancada, vingança, etc. Essas palavras são
denominadas substantivos.
Substantivos são palavras que designam seres — visíveis ou não, animados ou não -, ações, estados,
sentimentos, desejos, ideias.
Morfossintaxe: forma e função
Falar é uma atividade tão habitual e natural, que raramente o usuário de uma língua se dá conta
dos mecanismos que regem qualquer ato de fala.
Todos os falantes inconscientemente selecionam e combinam palavras de acordo com determinadas
regras interiorizadas por aqueles que se utilizam da língua.
Ao selecionar as palavras, o falante, além de considerar o sentido, leva em conta & forma das palavras
(artigo, substantivo, verbo, etc.) em virtude da função (sujeito, objeto direto, predicativo, etc.) que
elas assumem na oração.
Tomando por base a frase: "Os alunos saem da escola", observe as combinações realizadas, isto
é, sua estrutura sintática e as classes gramaticais que foram selecionadas para as combinações:
FUNÇÃO
FORMA
SUJEITO
adjunto
adnominal
artigo
Os
núcleo
substantivo
alunos
PREDICADO
verbo intransitivo
núcleo
verbo
saem
adjunto adverbial
,
preposição/artigo
da
substantivo
escola
Num ato de fala, a seleção e a combinação ocorrem simultaneamente. Assim, ao estudar a forma e
a função das palavras, não se pode desvincular o estudo de uma do estudo da outra, pois forma e função
coexistem e seus papéis só se definem solidariamente.
De acordo com a forma que apresentam, as palavras classificam-se em: substantivos, adjetivos,
numerais, artigos, pronomes, verbos, advérbios, preposições, conjunções e interjeições.
A parte da gramática que estuda a forma das palavras recebe o nome de morfologia. A que estuda
a função das palavras na oração recebe o nome de sintaxe.
Função sintática do substantivo
O substantivo figura na frase como núcleo das seguintes funções sintáticas: sujeito, objeto direto,
objeto indireto, predicativo do sujeito e do objeto, complemento nominal, adjunto adverbial, agente da
passiva, aposto e vocativo.
Observe a relação entre forma (classe gramatical) e função na análise dos substantivos desta frase:
l
Recebemos
Objeto Direto (OD)
a IjHirticipação
substantivo
núcleo do objeto
j direto
1 . j
Complemento Nominal (CN)
de seu ! casamento
substantivo
núcleo do complemento
nominal
O substantivo pode, precedido de preposição, formar uma locução adjetiva, que funciona como
adjunto adnominal. Observe:
Verbo transitivo
direto e indireto
Demonstra
Objeto indireto
(OI)
pormim
Objeto direto (OD)
Adjunto
adnominal i
um amor
Adjunto
adnominal
de mãe.
\o
j núcleo do
! objeto dire- l
to
substantivo
] núcleo do
j adjunto
l adnominal
Classificação do substantivo
Os substantivos classificam-se em:
• comuns: referem-se a qualquer ser de uma espécie, sem particularizá-lo: açúcar, bolo',
• próprios: nomeiam um ser em particular, destacando-o dentro da espécie ou do grupo; são grafados
com letra maiúscula: Japão, Campinas;
• concretos: nomeiam seres com existência própria, isto é, que não dependem de outro ser para
existir: lápis, gato;
• abstratos: nomeiam ações, qualidades, estados, sentimentos, isto é, seres que só existem em outros
ou a partir da existência de outros seres: ensino, bravura, pobreza;
• coletivos: designam uma pluralidade de seres da mesma espécie: multidão, antologia.
Classificação do substantivo quanto à formação
Quanto à formação, os substantivos classificam-se em:
• primitivos: são aqueles que dão origem a outras palavras: livro, pedra;
• derivados: são aqueles que se originam de outras palavras: livraria, pedregulho;
• simples: são os formados por apenas uma palavra: terra, homem;
• compostos: são os formados por mais de uma palavra: beija-flor, planalto
Sexo e género
NSo se deve confundir sexo com género, pelas seguintes razões:
• o género diz respeito a todos os substantivos de nossa língua, quer se refiram a seres animais providos
de sexo, quer designem apenas "coisas": o gato/a gata; o banco; a casa;

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Palestra: Oficina “Gramática de Texto”

Oficina “Gramática de Texto” 

Professora: Danielle Guglieri Lima

Curso gratuito em 6 aulas, com duração total de 18 horas (fornecemos certificado)
Horário: das 15h30 às 18h30
Dias: 11, 18 e 25 de outubro e 8, 22 e 29 de novembro (às terças-feiras)
Inscrições abertas (25 vagas) pelo telefone 4992-7218
Local: Casa da Palavra – Praça do Carmo, 171, Centro – Santo André, SP
Esta oficina consiste em uma possibilidade real para retomar questões relativas ao ensino, aprendizagem e uso da Língua Portuguesa, imprescindíveis em nosso dia a dia profissional, bem como consiste, pois, em rever pontos importantes acerca do uso, considerado padrão, postulado pela gramática normativa, as novas regras de acentuação, normas e usos linguísticos e problemas gerais de norma culta.
Público-alvo: Estudantes, professores, jornalistas e interessados em geral.
Danielle Guglieri Lima  é Mestre em Língua Portuguesa (PUC/SP), possui MBA em Marketing (FGV), e é graduada em Letras: Licenciatura Plena (FAPA/RS). Possui experiência de 15 anos na área. Atua como professora, corretora de redações em concursos, revisora, palestrante e escritora, tutora e autora de cursos em EAD.



--
Cassiano Ricardo Tirapani
Coordenador - Casa da Palavra - 4992-7218
Praça do Carmo, 171, Santo André

--
A Casa da Palavra é um espaço público dedicado a uma programação de cunho cultural, localizada na Praça do Carmo, 171- Centro – Santo André - SP.

O seu trabalho é voltado aos apreciadores e produtores da literatura, pesquisadores, pensadores, estudantes, artistas, e aos mais diversos amantes da palavra.

Ela abriga em seu espaço a Escola Livre de Literatura (ELL), que se destina à difusão da Literatura, e à formação de novos leitores.

Venha conhecer a Casa da Palavra, estamos abertos a novas idéias!

Este espaço é um equipamento da Secretaria de Cultura Esportes e Lazer da Prefeitura Municipal de Santo André

Contato:

Telefone: 4992-7218

Visite também o nosso blog: http://casadapalavrasa.blogspot.com/

Para a apresentação de projetos ou cursos, contatar:
Cassiano Ricardo Tirapani - Coordenador da Casa da Palavra
crtirapani@gmail.com




E-mail enviado por:

De:camila de santa rosa (milais_88@hotmail.com)
Enviada:quinta-feira, 6 de outubro de 2011 17:10:52
Para: letras uniesp (s1letras@hotmail.com)





Postado por Rodrigo P.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A teoria das ficções



A palavra e o psicanalista: uma invenção freudiana
Sexta-Feira, 7 de Outubro, das 20h às 22h
Local: Auditório Heleni Guariba – Saguão do Teatro Municipal
Praça 4º Centenário, sem número, Centro – Santo André, SP

Palestra com Leandro Alves Rodrigues do Santos
Convidado: Oscar Cesarotto

“A verdade tem estrutura de ficção”, dizia Jacques Lacan. A ficção teria, então, estatuto de verdade? Para além do prazer da leitura, que tipo de desejos a literatura satisfaz?  E as novelas? A nossa imaginação precisa ser alimentada cotidianamente com estórias? Os contos noturnos de Scherazade e a obra de Jorge Luis Borges respondem estas e outras mil e uma perguntas. Na clínica, entretanto, seu lugar é outro, a ser diferenciado da fantasia e do delírio. A referência lacaniana encontra, na obra de Jeremy Bentham, autor do século XVIII, a distinção entre utilitarismo e gozo, elevando este último termo à categoria de conceito fundamental da psicanálise.
Informações: 4992-7218
ENTRADA FRANCA



Cassiano Ricardo Tirapani
Coordenador - Casa da Palavra - 4992-7218
Praça do Carmo, 171, Santo André

-- 
A Casa da Palavra é um espaço público dedicado a uma programação de cunho cultural, localizada na Praça do Carmo, 171- Centro – Santo André - SP.
 
O seu trabalho é voltado aos apreciadores e produtores da literatura, pesquisadores, pensadores, estudantes, artistas, e aos mais diversos amantes da palavra.
 
Ela abriga em seu espaço a Escola Livre de Literatura (ELL), que se destina à difusão da Literatura, e à formação de novos leitores.
 
Venha conhecer a Casa da Palavra, estamos abertos a novas idéias!
 
Este espaço é um equipamento da Secretaria de Cultura Esportes e Lazer da Prefeitura Municipal de Santo André
 
Contato:
 
Telefone: 4992-7218
 
Visite também o nosso blog: http://casadapalavrasa.blogspot.com/
 
Para a apresentação de projetos ou cursos, contatar:
Cassiano Ricardo Tirapani - Coordenador da Casa da Palavra
crtirapani@gmail.com

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

OS LUSÍADAS PARA A PROVA

Os Lusíadas - Inês de Castro, de Luís Vaz de Camões Versão para impressão
Análise da obra Inês de Castro é um episódio lírico-amoroso que simboliza a força e a veemência do amor em Portugal. O episódio ocupa as estâncias 118 a 135 do Canto III de Os Lusíadas e relata o assassinato de Inês de Castro, em 1355, pelos ministros do rei D. Afonso IV de Borgonha, pai de D. Pedro, seu amante. É narrado, em sua maior parte, por Vasco da Gama, que conta a história de Portugal ao rei de Melinde. Considerado um dos mais belos momentos do poema, é a um só tempo um episódio histórico e lírico: por trás da voz do narrador, e da própria Inês, percebe-se a voz e a expressão pessoal do poeta. Camões, através da fala de Vasco da Gama, destaca do episódio sua carga romântica e dramática, deixando em segundo plano as questões políticas que o marcam. Fernão Lopes, Garcia de Resende e Antônio Ferreira já haviam explorado, em prosa, em verso e no teatro, respectivamente, a figura histórica de Inês Pires de Castro: Dom Pedro, Príncipe de Portugal, filho do Rei Afonso IV, era casado com D. Constança, mas se apaixonara por Inês de Castro, dama de companhia de D. Constança e filha ilegítima de um nobre português. Com a morte de D. Constança, Inês foi morar em Coimbra às margens do Rio Mondego e D. Pedro, futuro Rei de Portugal, viúvo, queria selar seu amor com Inês fazendo dela sua rainha. O Rei Afonso IV temendo pela sucessão do trono que seria seu neto, filho de Constança e pela influência dos nobres que temiam uma influência castelhana, tenta resgatar o filho e conduzi-lo a um casamento que obedecesse não aos caprichos de cupido, mas às conveniências políticas de Portugal. Para isso, vendo como única saída, o Rei manda vir Inês para que seja executada. Os terríveis verdugos trouxeram Inês e seus filhos perante o Rei. Depois de ouvir a sentença, Inês ergueu os olhos aos céus e disse: "Até mesmo as feras, cruéis de nascença, e as aves de rapina já demonstraram piedade com as crianças pequenas. O senhor, que tem o rosto e o coração humanos, deveria ao menos compadecer-se destas criancinhas, seus netos, já que não se comove com a morte de uma mulher fraca e sem força, condenada somente por ter entregue o coração a quem soube conquistá-lo. E se o senhor sabe espalhar a morte com fogo e ferro, vencendo a resistência dos mouros, deve saber também dar a vida, com clemência, a quem nenhum crime cometeu para perdê-la. Mas se devo ser punida, mesmo inocente, mande-me para o exílio perpétuo e mísero na gelada Cítia ou na ardente Líbia onde eu viva eternamente em lágrimas. Ponha--me entre os leões e tigres, onde só exista crueldade. E verei se neles posso achar a piedade que não achei entre corações humanos. E lá, com o amor e o pensamento naquele por quem fui
condenada a morrer, criarei os seus filhos, que o senhor acaba de ver, e que serão o consolo de sua triste mãe." Comovido com essas palavras, o Rei já pensava em absolver Inês, quando os verdugos, que defendiam a execução, sacaram de suas espadas e degolaram Inês. Isso aconteceu em 1355 e diz a lenda que D. Pedro, inconformado, mandou vestir a noiva com roupas nupciais, sentou o cadáver no trono e fez os nobres lhe beijarem a mão, daí falar-se que "a infeliz foi rainha depois de morta". Na verdade, D. Pedro manda transladar o corpo de Inês do mosteiro com pompas de rainha para o mosteiro de Alcobaça em 1361, quando já era rei. Portanto, seis anos após o assassinato. Ao subir ao trono D. Pedro conseguiu que outro Pedro, o Cruel, rei de Castela, lhe entregasse os homicidas, que para lá fugiram, pois os dois monarcas tinham um pacto de devolver um ao outro os respectivos inimigos. Para imortalizar seu amor por Inês, D. Pedro jurou em presença de sua corte que se havia casado clandestinamente com ela, transformando-a, dessa maneira, em rainha após a morte. Camões em Os Lusíadas, relata assim: Episódio de Dona Inês de Castro (Os Lusíadas, Canto III, 118 a 135)

Passada esta tão próspera vitória, Tornado Afonso à Lusitana Terra, A se lograr da paz com tanta glória Quanta soube ganhar na dura guerra, O caso triste e dino da memória, Que do sepulcro os homens desenterra, Aconteceu da mísera e mesquinha Que despois de ser morta foi Rainha.

Tu, só tu, puro amor, com força crua, Que os corações humanos tanto obriga, Deste causa à molesta morte sua, Como se fora pérfida inimiga. Se dizem, fero Amor, que a sede tua Nem com lágrimas tristes se mitiga, É porque queres, áspero e tirano, Tuas aras banhar em sangue humano.


Estavas, linda Inês, posta em sossego, De teus anos colhendo doce fruito,
Naquele engano da alma, ledo e cego, Que a fortuna não deixa durar muito, Nos saudosos campos do Mondego, De teus fermosos olhos nunca enxuito, Aos montes insinando e às ervinhas O nome que no peito escrito tinhas.

Do teu Príncipe ali te respondiam As lembranças que na alma lhe moravam, Que sempre ante seus olhos te traziam, Quando dos teus fernosos se apartavam; De noite, em doces sonhos que mentiam, De dia, em pensamentos que voavam; E quanto, enfim, cuidava e quanto via Eram tudo memórias de alegria.

De outras belas senhoras e Princesas Os desejados tálamos enjeita, Que tudo, enfim, tu, puro amor, desprezas, Quando um gesto suave te sujeita. Vendo estas namoradas estranhezas, O velho pai sesudo, que respeita O murmurar do povo e a fantasia Do filho, que casar-se não queria,

Tirar Inês ao mundo determina, Por lhe tirar o filho que tem preso, Crendo co sangue só da morte ladina Matar do firme amor o fogo aceso. Que furor consentiu que a espada fina, Que pôde sustentar o grande peso Do furor Mauro, fosse alevantada Contra hûa fraca dama delicada?

Traziam-na os horríficos algozes Ante o Rei, já movido a piedade; Mas o povo, com falsas e ferozes Razões, à morte crua o persuade. Ela, com tristes e piedosas vozes, Saídas só da mágoa e saudade Do seu Príncipe e filhos, que deixava, Que mais que a própria morte a magoava,


Pera o céu cristalino alevantando, Com lágrimas, os olhos piedosos (Os olhos, porque as mãos lhe estava atando Um dos duros ministros rigorosos);
E despois, nos mininos atentando, Que tão queridos tinha e tão mimosos, Cuja orfindade como mãe temia, Pera o avô cruel assi dizia:

(Se já nas brutas feras, cuja mente Natura fez cruel de nascimento, E nas aves agrestes, que somente Nas rapinas aéreas tem o intento, Com pequenas crianças viu a gente Terem tão piedoso sentimento Como co a mãe de Nino já mostraram, E cos irmãos que Roma edificaram:

ó tu, que tens de humano o gesto e o peito (Se de humano é matar hûa donzela, Fraca e sem força, só por ter sujeito O coração a quem soube vencê-la), A estas criancinhas tem respeito, Pois o não tens à morte escura dela; Mova-te a piedade sua e minha, Pois te não move a culpa que não tinha.

E se, vencendo a Maura resistência, A morte sabes dar com fogo e ferro, Sabe também dar vida, com clemência, A quem peja perdê-la não fez erro. Mas, se to assi merece esta inocência, Põe-me em perpétuo e mísero desterro, Na Cítia fria ou lá na Líbia ardente, Onde em lágrimas viva eternamente.

Põe-me onde se use toda a feridade, Entre leões e tigres, e verei Se neles achar posso a piedade Que entre peitos humanos não achei. Ali, co amor intrínseco e vontade Naquele por quem mouro, criarei Estas relíquias suas que aqui viste, Que refrigério sejam da mãe triste.)


Queria perdoar-lhe o Rei benino, Movido das palavras que o magoam; Mas o pertinaz povo e seu destino (Que desta sorte o quis) lhe não perdoam. Arrancam das espadas de aço fino Os que por bom tal feito ali apregoam.
Contra hûa dama, ó peitos carniceiros, Feros vos amostrais e cavaleiros?

Qual contra a linda moça Polycena, Consolação extrema da mãe velha, Porque a sombra de Aquiles a condena, Co ferro o duro Pirro se aparelha; Mas ela, os olhos, com que o ar serena (Bem como paciente e mansa ovelha), Na mísera mãe postos, que endoudece, Ao duro sacrifício se oferece:

Tais contra Inês os brutos matadores, No colo de alabastro, que sustinha As obras com que Amor matou de amores Aquele que despois a fez Rainha, As espadas banhando e as brancas flores, Que ela dos olhos seus regadas tinha, Se encarniçavam, fervidos e irosos, No futuro castigo não cuidosos.

Bem puderas, ó Sol, da vista destes, Teus raios apartar aquele dia, Como da seva mesa de Tiestes, Quando os filhos por mão de Atreu comia ! Vós, ó côncavos vales, que pudestes A voz extrema ouvir da boca fria, O nome do seu Pedro, que lhe ouvistes, Por muito grande espaço repetistes.

Assi como a bonina, que cortada Antes do tempo foi, cândida e bela, Sendo das mãos lacivas maltratada Da minina que a trouxe na capela, O cheiro traz perdido e a cor murchada: Tal está, morta, a pálida donzela, Secas do rosto as rosas e perdida A branca e viva cor, co a doce vida.

As filhas do Mondego a morte escura Longo tempo chorando memoraram, E, por memória eterna, em fonte pura As lágrimas choradas transformaram. O nome lhe puseram, que inda dura, Dos amores de Inês, que ali passaram. Vede que fresca fonte rega as flores, Que lágrimas são a água e o nome Amores.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

CONTOS PARA AULA DE QUARTA-FEIRA DIA 28 / 09

Ocorvo
Numa sombria madrugada, enquanto eu meditava, fraco e cansado, sobre um estranho e curioso volume de folclore esquecido; enquanto cochilava, já quase dormindo, de repente ouvi um ruído. O som de alguém levemente batendo, batendo na porta do meu quarto. "Uma visita," disse a mim mesmo, "está batendo na porta do meu quarto - É só isto e nada mais." Ah, que eu bem disso me lembro, foi no triste mês de dezembro, e que cada distinta brasa ao morrer, lançava sua alma sobre o chão. Eu ansiava pela manhã. Buscava encontrar nos livros, em vão, o fim da minha dor - dor pela ausente Leonor - pela donzela radiante e rara que chamam os anjos de Leonor - cujo nome aqui não se ouvirá nunca mais.  'Numa sombria madrugada, enquanto eu meditava fraco e cansado sobre um estranho e curioso volume de folclore esquecido ...' .  E o sedoso, triste e incerto sussurro de cada cortina púrpura me emocionava - me enchia de um terror fantástico que eu nunca havia antes sentido. E buscando atenuar as batidas do meu coração, eu só repetia: "É apenas uma visita que pede entrada na porta do meu quarto - Uma visita tardia pede entrada na porta do meu quarto; - É só isto, só isto, e nada mais."   Mas depois minha alma ficou mais forte, e não mais hesitando falei: "Senhor", disse, "ou Senhora, vos imploro sincero vosso perdão. Mas o fato é que eu dormia, quando tão gentilmente chegastes batendo; e tão suavemente chegastes batendo, batendo na porta do meu quarto, que eu não estava certo de vos ter ouvido". Depois, abri a porta do quarto. Nada. Só havia noite e nada mais.    'Abri a porta do quarto. Nada. Só havia noite e nada mais.' .    Encarei as profundezas daquelas trevas, e permaneci pensando, temendo, duvidando, sonhando sonhos mortal algum ousara antes sonhar. Mas o silêncio era inquebrável, e a paz era imóvel e profunda; e a única palavra dita foi a palavra sussurrada, "Leonor!". Fui eu quem a disse, e um eco murmurou de volta a palavra "Leonor!". Somente isto e nada mais.    De volta, ao quarto me volvendo, toda minh'alma dentro de mim ardendo, outra vez ouvi uma batida um pouco mais forte que a anterior. "Certamente," disse eu, "certamente tem alguma coisa na minha janela! Vamos ver o que está nela, para resolver este mistério. Possa meu coração parar por um instante, para que este mistério eu possa explorar. Deve ser o vento e nada mais!"    Abri toda a janela. E então, com uma piscadela, lá entrou esvoaçante um nobre Corvo dos santos dias de tempos ancestrais. Não pediu nenhuma licença; por nenhum minuto parou ou ficou; mas com jeito de lorde ou dama, pousou sobre a porta do meu quarto. Sobre um busto de Palas empoleirou-se sobre a porta do meu quarto. Pousou, sentou, e nada mais.    'Abri toda a janela. E então, com uma piscadela, lá entrou esvoaçante um nobre Corvo dos santos dias de tempos ancestrais.' .     Depois essa ave negra, seduzindo meu triste semblante, acabou por me fazer sorrir, pelo sério e severo decoro da expressão por ela mostrada. "Embora seja raspada e aparada a tua crista," disse eu, "tu, covarde não és nada. Ó velho e macabro Corvo vagando pela orla das trevas! Dize-me qual é teu nobre nome na orla das trevas infernais!".     E o Corvo disse: "Nunca mais."    Muito eu admirei esta ave infausta por ouvir um discurso tão atenta, apesar de sua resposta de pouco sentido, que pouca relevância sustenta. Pois não podemos deixar de concordar, que ser humano algum vivente, fora alguma vez abençoado com a vista de uma ave sobre a porta do seu quarto; ave ou besta sobre um busto esculpido, sobre a porta do seu quarto, tendo um nome como "Nunca mais."     Mas o corvo, sentado sozinho no busto plácido, disse apenas aquela única palavra, como se naquela única palavra sua alma se derramasse. Depois, ele nada mais falou, nem uma pena ele moveu, até que eu pouco mais que murmurei: "Outros amigos têm me deixado. Amanhã ele irá me deixar, como minhas esperanças têm me deixado."     Então a ave disse "Nunca mais."     'Amanhã ele irá me deixar, como minhas esperanças têm me deixado...'    Impressionado pelo silêncio quebrado por resposta tão precisa, "Sem dúvida," disse eu, "o que ele diz são só palavras que guardou; que aprendeu de algum dono infeliz perseguido pela Desgraça sem perdão. Ela o seguiu com pressa e com tanta pressa até que sua canção ganhou um refrão; até ecoar os lamentos da sua Esperança que tinha como refrão a frase melancólica 'Nunca - nunca mais.' "    Mas o Corvo ainda seduzia minha alma triste e me fazia sorrir. Logo uma cadeira acolchoada empurrei diante de ave, busto e porta. Depois, deitado sobre o veludo que afundava, eu me entreguei a interligar fantasia a fantasia, pensando no que esta agourenta ave de outrora, no que esta hostil, infausta, horrenda, sinistra e agourenta ave de outrora quis dizer, ao gritar, "Nunca mais."    Concentrado me sentei para isto adivinhar, mas sem uma sílaba expressar à ave cujos olhos ígneos no centro do meu peito estavam a queimar. Isto e mais eu sentei a especular, com minha cabeça descansada a reclinar, no roxo forro de veludo da cadeira que a luz da lâmpada contemplava, mas cujo roxo forro de veludo que a lâmpada estava a contemplar ela não iria mais apertar, ah, nunca mais!    'Descansa! Descansa e apaga o pesar de tuas memórias de Leonor. Bebe, oh bebe este bom nepenthes e esquece a minha perdida Leonor!' .    Então, me pareceu o ar ficar mais denso, perfumado por invisível incensário, agitado por Serafim cujas pegadas ressoavam no chão macio. "Maldito," eu gritei, "teu Deus te guiou e por estes anjos te enviou. Descansa! Descansa e apaga o pesar de tuas memórias de Leonor. Bebe, oh bebe este bom nepenthes e esquece a minha perdida Leonor!"     E o Corvo disse: "Nunca mais."     "Profeta!" disse eu, "coisa do mal! - profeta ainda, se ave ou diabo! - Tenhas sido enviado pelo Tentador, tenhas vindo com a tempestade; desolado porém indomável, nesta terra deserta encantado, neste lar pelo Horror assombrado, dize-me sincero, eu imploro. Há ou não - há ou não bálsamo em Gileade? - dize-me - dize-me, eu imploro!"     E o Corvo disse: "Nunca mais."     "Profeta!" disse eu, "coisa do mal! - profeta ainda, se ave ou diabo! Pelo Céu que sobre nós se inclina, pelo Deus que ambos adoramos, dize a esta alma de mágoa carregada que, antes do distante Éden, ela abraçará aquela santa donzela que os anjos chamam de Leonor; que abraçará aquela rara e radiante donzela que os anjos chamam Leonor."     E o Corvo disse: "Nunca mais."     'Profeta!, coisa do mal! ..., dize-me sincero, eu imploro. Há ou não - há ou não bálsamo em Gileade?' .     "Que essa palavra nos aparte, ave ou inimiga!" eu gritei, levantando - "Volta para a tua tempestade e para a orla das trevas infernais! Não deixa pena alguma como lembrança dessa mentira que tua alma aqui falou! Deixa minha solidão inteira! - sai já desse busto sobre minha porta! Tira teu bico do meu coração, e tira tua sombra da minha porta!"     E o Corvo disse: "Nunca mais."     E o Corvo, sem sequer se bulir, se senta imóvel, se senta ainda, sobre o pálido busto de Palas que há sobre a porta do meu quarto. E seus olhos têm toda a dor dos olhos de um demônio que sonha; e a luz da lâmpada que o ilumina, projeta a sua sombra sobre o chão. E minh'alma, daquela sombra que jaz a flutuar no chão, levantar-se-á - nunca mais!     'E minh'alma, daquela sombra que jaz a flutuar no chão, levantar-se-á - nunca mais!' . FIM        Adaptação de Helder da Rocha

A ARANHA


— Quer assunto para um conto? — perguntou o Enéias, cercando-me no corredor.Sorri.— Não, obrigado.— Mas é assunto ótimo, verdadeiro, vivido, acontecido, interessantíssimo!— Não, não é preciso... Fica para outra vez...— Você está com pressa?— Muita!— Bem, de outra vez será. Dá um conto estupendo. E com esta vantagem: aconteceu... É só florear um pouco. — Está bem... Então... até logo... Tenho que apanhar o elevador...Quando me despedia, surge um terceiro. Prendendo-me à prosa. Desmoralizando-me a pressa.— Então, que há de novo?— Estávamos batendo papo... Eu estava cedendo, de graça, um assunto notável para um conto. Tão bom, que até comecei a esboçá-lo, há tempos. Mas conto não é gênero meu — continuou o Enéias, os olhos muito azuis transbordando de generosidade.— Sobre o quê? — perguntou o outro.Eu estava frio. Não havia remédio. Tinha que ouvir, mais uma vez, o assunto.— Um caso passado. Conheceu o Melo, que foi dono de uma grande torrefação aqui em São Paulo, e tinha uma ou várias fazendas pelo interior?Pergunta dirigida a mim. Era mais fácil concordar:— Conheci.— Pois olhe. Foi com o Melo. Quem contou foi ele. Esse é o maior interesse do fato. Coisa vivida. Batatal. Sem literatura. É só utilizar o material, e acrescentar uns floreios, para encher, ou para dar mais efeito. Eu ouvi a história, dele mesmo, certa noite, em casa do velho. Não sei se você sabe que o Melo é um violinista famoso. Um artista. Tenho conhecido poucos violões tão bem tocados quanto o dele. Só que ele não é profissional nem fez nunca muita questão de aparecer. Deve ter tocado em público poucas vezes. Uma ou duas, até, se não me engano, no Municipal. Mas o homem é um colosso. O filho está aí, confirmando o sangue... fazendo sucesso.— Bem... eu vou indo... Tenho encontro marcado. Fica a história para outra ocasião. Não leve a mal. Você sabe: eu sou escravo.Ora essa! Claro! Até logo.Palmadinha no ombro dele. Palmadinha no meu. Chamei o elevador.— É um caso único no gênero — continuou Enéias para o companheiro. — O Melo tinha uma fazenda, creio que na Alta Paulista. Passava lá enormes temporadas, sozinho, num casarão desolador. Era um verdadeiro deserto. E como era natural, distração dele era o violão velho de guerra. Hora livre, pinho no braço, dedada nas cordas. No fundo, um romântico, um sentimental. O pinho dele soluça mesmo. Geme de doer. Corta a alma. É contagiante, envolvente, de machucar. Ouvi-o tocar várias vezes. A Madrugada que Passou, O Luar do Sertão, e tudo quanto é modinha sentida que há por aí tira até lágrima da gente, quando o Melo toca...— Completo! — gritou o ascensorista, de dentro do elevador, que não parou, carregado com gente que vinha do décimo andar, acotovelando-se de fome.Apertei três ou quatro vezes a campainha, para assegurar o meu direito à viagem seguinte.Enéias continuava.— E não é só modinha... Os clássicos. Música no duro... Ele tira Chopin e até Beethoven. A Tarantela de Liszt é qualquer coisa, interpretada pelo Melo... Pois bem... (Isto foi contado por ele, hein! Não estou inventando. Eu passo a coisa como recebi.) Uma noite, sozinho na sala de jantar, Melo puxou o violão, meio triste, e começou a tocar. Tocou sei lá o quê. Qualquer coisa. Sei que era uma toada melancólica. Acho que havia luar, ele não disse. Mas quem fizer o conto pode pôr luar. Carregando, mesmo. Sempre dá mais efeito. Dá ambiente.O elevador abriu-se. Quis entrar.— Sobe!Recuei.— Você sabe: nessa história de literatura, o que dá vida é o enchimento, a paisagem. Um tostão de lua, duzentão de palmeira, quatrocentos de vento sibilando na copa das árvores, é barato e agrada sempre... De modo que quem fizer o conto deve botar um pouco de tudo isso. Eu dou só o esqueleto. Quem quiser que aproveite... O Melo estava tocando. Luz, isso ele contou, fraca. Produzida na própria fazenda. Você conhece iluminação de motor. Pisca-pisca. Luz alaranjada.— A luz alaranjada não é do motor, é do...— Bem, isso não vem ao caso... Luz vagabunda. Fraquinha...— Desce!Dois sujeitos, que esperavam também, precipitaram-se para o elevador.— Completo!— O Melo estava tocando... Inteiramente longe da vida. De repente, olhou para o chão. Poucos passos adiante, enorme, cabeluda, uma aranha caranguejeira. Ele sentiu um arrepio. Era um bicho horrível. Parou o violão para dar um golpe na bruta. Mal parou, porém, a aranha, com uma rapidez incrível, fugiu, penetrando numa frincha da parede, entre o rodapé e o soalho. O Melo ficou frio de horror. Nunca tinha visto aranha tão grande, tão monstruosa. Encostou o violão. Procurou um pau, para maior garantia, e ficou esperando. Nada. A bicha não saía. Armou-se de coragem. Aproximou-se da parede, meio de lado, começou a bater na entrada da fresta, para ver se atraía a bichona. Era preciso matá-la. Mas a danada era sabida. Não saiu. Esperou ainda uns quinze minutos. Como não vinha mesmo, voltou para a rede, pôs-se a tocar outra vez a mesma toada triste. Não demorou, a pernona cabeluda da aranha apontou na frincha...O elevador abriu-se com violência, despejando três ou quatro passageiros, fechou-se outra vez, subiu.O Enéias continuava.— Apareceu a pernona, a bruta foi chegando. Veio vindo. O Melo parou o violão, para novo golpe. Mas a aranha, depois de uma ligeira hesitação, antes que o homem se aproximasse, afundou outra vez no buraco. "Ora essa!" Ele ficou intrigado. Esperou mais um pouco, recomeçou a tocar. E quatro ou cinco minutos depois, a cena se repetiu. Timidamente, devargazinho, a aranha apontou, foi saindo da fresta. Avançava lentamente, como fascinada. Apesar de enorme e cabeluda, tinha um ar pacífico, familiar. O Melo teve uma idéia. "Será por causa da música?" Parou, espreitou. A aranha avançaria uns dois palmos...— Desce! — Eu vou na outra viagem.— Dito e feito... — continuou Enéias. — A bicha ficou titubeante, como tonta. Depois, moveu-se lentamente, indo se esconder outra vez. Quando ele recomeçou a tocar, já foi com intuito de experiência. Para ver se ela voltava. E voltou. No duro. Três ou quatro vezes a cena se repetiu. A aranha vinha, a aranha voltava. Três ou mais vezes. Até que ele resolveu ir dormir, não sei com que estranha coragem, porque um sujeito saber que tem dentro de casa um bicho desses, venenoso e agressivo, sem procurar liquidá-lo, é preciso ter sangue! No dia seguinte, passou o dia inteiro excitadíssimo. Isto sim, dava um capítulo formidável. Naquela angústia, naquela preocupação. "Será que a aranha volta? Não seria tudo pura coincidência?" Ele estava ocupadíssimo com a colheita. Só à noite voltaria para o casarão da fazenda. Teve que almoçar com os colonos, no cafezal. Andou a cavalo o dia inteiro. E sempre pensando na aranha. O sujeito que fizer o conto pode tecer uma porção de coisas em torno dessa expectativa. À noite, quando se viu livre, voltou para casa. Jantou às pressas. Foi correndo buscar o violão. Estava nervoso. "Será que a bicha vem?" Nem por sombras pensou no perigo que havia ter em casa um animal daqueles. Queria saber se "ela" voltava. Começou a tocar como quem se apresenta em público pela primeira vez. Coração batendo. Tocou. O olho na fresta. Qual não foi a alegria dele quando, quinze ou vinte minutos depois, como um viajante que avista terra, depois de uma longa viagem, percebeu que era ela... o pernão cabeludo, o vulto escuro no canto mal iluminado.— (Desce!— Sobe!— Desce!— Sobe!)— A aranha surgiu de todo. O mesmo jeito estonteado, hesitante, o mesmo ar arrastado. Parou a meia distância. Estava escutando. Evidentemente, estava. Aí, ele quis completar a experiência. Deixou de tocar. E como na véspera, quando o silêncio se prolongou, a caranguejeira começou a se mover pouco a pouco, como quem se desencanta, para se esconder novamente. É escusado dizer que a cena se repetiu nesse mesmo ritmo uma porção de vezes. E para encurtar a história, a aranha ficou famosa. O Melo passou o caso adiante. Começou a vir gente da vizinhança, para ver a aranha amiga da música. Todas as noites era aquela romaria. Amigos, empregados, o administrador, gente da cidade, todos queriam conhecer a cabeluda fã de O Luar do Sertão, e de outras modinhas. E até de música boa. Chopin... Eu não sei qual é... Mas havia um noturno de Chopin que era infalível. Mesmo depois de acabado, ele ainda ficava como que amolentada, ouvindo ainda. E tinha uma predileção especial pela Gavota, ela surgia. O curioso é que o Melo tocava todas as noites. Havia ocasiões em que custava a aparecer. Mas era só tocar a Gavota, ela surgia. O curioso é que o Melo se tomou de amores pela aranha. Ficou sendo a distração, a companheira e Ela, com E grande. Chegou até a pôr-lhe nome, não me lembro qual. E ele conta que, desde então, não sentiu mais a solidão incrível da fazenda. Os dois se compreendiam, se irmanavam. Ele sentia quais as músicas que mais tocavam a sensibilidade "dela"... E insistia, nessas, para agradar a inesperada companheira de noitadas. Chegou mesmo a dizer que, após dois ou três meses daquela comunhão — o caso já não despertava interesse, os amigos já haviam desertado — ele começava a pensar, com pena, que tinha de voltar para São Paulo. Como ficaria a coitada? Que seria dela, sem o seu violão? Como abandonar uma companheira tão fiel? Sim, porque trazê-la para São Paulo, isso não seria fácil!... Pois bem, uma noite, apareceu um camarada de fora, que não sabia da história. Creio que um viajante, um representante qualquer de uma casa comissária de Santos. Hospedou-se com ele. Cheio de prosa, de novidades. Os dois ficaram conversando longamente, inesperada palestra de cidade naqueles fundos de sertão. Negócios, safras, cotações, mexericos. Às tantas, esquecido até da velha amiga, o Melo tomou do violão, velho hábito que era um prolongamento de sua vida. Começou a tocar, distraído. Não se lembrou de avisar o amigo. A aranha quotidiana apareceu. O amigo escutava. De repente, seus olhos a viram. Arrepiou-se de espanto. E, num salto violento, sem perceber o grito desesperado com que o procurava deter o hospedeiro, caiu sobre a aranha, esmagando-a com o sapatão cheio de lama. O Melo soltou um grito de dor. O rapaz olhou-o. Sem compreender, comentou: — Que perigo, hein? O outro não respondeu logo. Estava pálido, numa angústia mortal nos olhos.— E justamente quando eu tocava a Gavota de Tárrega, a que ela preferia, coitadinha...— Mas o que há? Eu não compreendo...E vocês não imaginam o desapontamento, a humilhação com que ele ouviu toda essa história que eu contei agora...— Desce!Desci.
por Orígenes Lessa
(Omelete em Bombaim, 1946.)
segunda ou terça-feira
Preguiçosa e indiferente,sacudindo o espaço com facilidade com suas asas,conhecendo o rumo,a garça passa sobre a igreja por baixo do céu.Branca e distante,absorvida em si mesma,ela percorre e volta a percorrer o céu,avança e permanece.Um lago?Apaguem suas margens!Uma montanha?Ah,perfeito-o sol doura-lhe as encostas.Lá ele cai.Samambaias,ou penas brancas para sempre e sempre-     Desejando a verdade,esperando-a,laboriosamente       destilando algumas palavras,para sempre desejando-(um grito repercute para a esquerda,outro para a direita.Rodas rangem discordantes.Ônibus se conglomeram conflituosos)-para sempre desejando-(o relógio assegura com 12 badaladas distintas que é eio-dia;a luz irradia escalas douradas;crianças enxameiam)-para sempre desejando a verdade.Vermelho é o domo;moedas balançam de árvores;a fumaça se desenrosca das chaminés;ladram,berram,gritam"Vende-se ferro!"-e a verdade?    
Irradiando-se até o ponto em que os pés dos homens e os pés das mulheres,negros ou revestidos de ouro-(Este tempo nublado-Açúcar?Não,obrigado-a comunidade do futuro)-a chama do isqueiro dardejando e avermelhando o quarto,exceto as figuras negras e seus olhos brilhantes,enquanto lá fora um furgão descarrega,Miss Fulana bebe chá à sua mesa e o vidro laminado preserva casacos de pele-            Tremulante com a leveza de uma folha,à deriva nos cantos,soprada do outro lado das rodas,salpicada de prata,em casa ou fora de casa,reunida,separada,dissipada em escalas distintas,arrebatada para cima,para baixo,desgastada,arruinada,convocada-e a verdade?               Ser relembrada agora rente à lareira,no quadro branco de mármore.Das profundezas do marfim                ascendem palavras que vertem o seu negrume,floridas e perspicazes.Tombado está o livro;na chama,no fumo,nas momentâneas faíscas-ou agora viajando,o quadrado de mármore pendente,minaretes embaixo e os mares indianos,enquanto o espaço investe azulado e as estrelas cintilam-verdade?Ou agora,contente com a solidão?
Preguiçosa e indiferente a garça retorna;o céu vela as estrelas;e depois as desnuda.

(Virginia Woolf-Segunda ou terça-feira-do livro Objetos Sólidos-editora Siciliano,   tradução de Hélio Pólvora)